Fluxo salta, mas aporte segue baixo em portos

Entre 1995 e 2017 o movimento de carga nos terminais cresceu 162% ao passo que apenas 36,6% dos recursos públicos autorizados foram colocados efetivamente no modal no mesmo período

Enquanto a movimentação portuária brasileira deu um salto de 162% entre 1995 e 2017, os investimentos públicos em infraestrutura continuaram defasados. No período analisado, apenas 36,6% dos recursos autorizados para o setor foi aplicado, o que representa R$ 14,3 bilhões a menos para os terminais.

De acordo com o Anuário do Transporte, ano passado foram movimentados no Brasil 1,09 bilhão de toneladas nos portos, resultado 8,5% maior que o verificado em 2016. Apesar deste forte incremento, um estudo recente da R. Amaral & Associados apontou que o investimento autorizado para o setor desde 1995 somaria R$ 22,6 bilhões, mas apenas R$ 8,3 bilhões foram aplicados.

O incremento significativo no volume transportado pode ser atrelado a questões como ampliação dos Terminais de Uso Privado (TUPs), maior eficiência da produção agrícola para exportação e o nascimento de novos terminais nos últimos 22 anos.

“O crescimento do volume de cargas transportadas pelo modal pode ser explicado por investimentos na gestão de algumas instalações portuárias, que passaram a planejar, de forma otimizada, o trajeto das cargas que chegam aos terminais seja por caminhões, seja por ferrovias. Com isso, os portos ganharam aumento de eficiência e puderam transportar mais”, diz o diretor-executivo da Confederação Nacional dos Transportes, Bruno Batista.

Com maior eficiência, os TUPs cresceram 9,5%, alcançando 722,9 milhões de toneladas. Os portos organizados, por sua vez, movimentaram 365,1 milhões (+6,5%).

Companhia de Docas

Segundo um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) as Companhias das Docas receberam ano passado cerca de R$ 175 milhões em investimentos, de um total de R$ 660 milhões autorizados. O valor é o menor em 14 anos e, segundo o especialista em logística Dyogo Matta, isso é reflexo da forma como o governo federal encara o setor.

“A nossa estrutura portuária, no que diz respeito à gestão e cultura, ainda guarda resquícios da administração militar, então nenhum presidente fez mudanças realmente estruturais para alavancar investimentos. Espero que o próximo presidente quebre este ciclo.”

A Companhia de Docas é responsável, por exemplo, pela conexão com as ferrovias e rodovias para acesso aos terminais portuários.

Quando realizou o estudo, a CNI apontou que a defasagem dos portos públicos no Brasil é enorme. Para a entidade, o uso de tecnologia para tornar os espaços mais eficientes poderia ser revertido em maior fluxo de carga sem que fosse necessárias grandes obras de ampliação. O alerta sobre um eventual colapso na estrutura atual caso nada seja mudado foi entregue aos candidatos à presidência da república no mês passado.

 

Veículo:  DCI Caderno: Logística Data: 18.08.18